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Você conhece quem realmente é?

05 de September de 2026 0 leituras
Você conhece quem realmente é?

Você conhece quem realmente é?

Pode parecer uma pergunta simples. Afinal, quem melhor do que nós mesmos para saber quem somos? Mas, se pararmos por alguns minutos e olharmos para dentro com sinceridade, talvez descubramos que não sabemos responder tão facilmente.

Você sabe quais são os seus gostos atuais? Sabe o que realmente te diverte? O que faz você perder a noção do tempo? Sabe quais lugares te fazem bem, quais conversas te alimentam e quais pessoas fazem você se sentir mais leve? Você sabe o que te ajuda a descansar de verdade? Não apenas aquilo que ocupa algumas horas do seu dia, mas aquilo que realmente devolve energia, presença e bem-estar?

Na prática clínica, escuto inúmeras vezes minhas pacientes falando que já não sabem mais responder a perguntas tão simples sobre si mesmas.

Mulheres que não sabem mais quais são suas frutas preferidas, porque, há tanto tempo, acabam comendo aquilo que os filhos não quiseram.

Mulheres que não sabem qual restaurante escolher, porque estão sempre mais preocupadas em saber onde todos os outros gostariam de ir. Que não sabem que destino escolheriam para uma viagem, porque estão cansadas demais para pensar em algo que não seja organizar, cuidar, resolver ou agradar alguém.

E, aos poucos, percebem que passaram tanto tempo olhando para as necessidades das pessoas ao redor que deixaram de olhar para as próprias.

Não porque não tenham desejos. Mas porque talvez tenham deixado de perguntar.

Talvez você também saiba responder com facilidade quem você era há alguns anos. Talvez se lembre das coisas que gostava, dos sonhos que tinha, dos lugares que frequentava e das pessoas com quem adorava estar.

Talvez ainda se reconheça naquela versão que amava determinada música, tinha um hobby específico ou encontrava prazer em coisas que hoje já não fazem tanto sentido.

Ao mesmo tempo, talvez você também conheça muito bem a versão que gostaria de ser. Aquela pessoa que pretende se tornar. A versão que terá mais tempo, mais coragem, mais disposição, mais disciplina, mais tranquilidade. A pessoa que, na sua imaginação, finalmente conseguirá fazer tudo aquilo que hoje parece difícil.

E, por vezes, ficamos presos entre essas duas versões.

Olhamos para trás e pensamos: “Eu era tão diferente.” Talvez até sintamos saudade daquela pessoa que tinha mais tempo, mais energia ou menos responsabilidades. E olhamos para frente pensando: “Quando eu emagrecer, quando meus filhos crescerem, quando eu tiver mais dinheiro, quando o trabalho estiver mais tranquilo, quando eu conseguir me organizar… aí vou voltar a fazer as coisas que gosto.”

Mas existe uma versão sua que, muitas vezes, fica esquecida entre essas duas: a versão de agora!

Porque nós mudamos (ufa!). E aquilo que nos fazia bem há cinco ou dez anos talvez não funcione mais da mesma forma. Talvez você ainda esteja tentando descansar como descansava antes, se divertir da forma que costumava se divertir ou perseguir sonhos que pertenciam a uma versão sua que já não existe da mesma maneira.

Na clínica, também escuto pessoas dizendo: “Eu não sei mais o que gosto de fazer.” E, muitas vezes, essa frase vem acompanhada de uma rotina completamente preenchida por trabalho, filhos, relacionamentos, responsabilidades e necessidades dos outros.

Pergunto: “Se você tivesse um dia inteiro só para você, o que gostaria de fazer?” E, por vezes, o silêncio aparece…Não porque não exista nada que aquela pessoa queira. Mas porque ela não se faz essa pergunta há muito tempo.

Talvez tenha passado anos escolhendo o filme que todos gostariam de assistir. Preparando a comida que a família prefere. Indo aos lugares que são mais fáceis para todos. Tirando férias pensando no que seria melhor para as crianças. Organizando os horários em função do trabalho, do parceiro, dos pais, dos amigos.

E, aos poucos, sem perceber, pode começar a perder o contato com a própria resposta para uma pergunta tão simples quanto: “Mas o que eu quero?”

E é justamente por isso que se faz tão importante voltar a se conhecer. E se conhecer pode ser algo muito mais simples, pode ser experimentar, pode ser se perguntar: do que eu gosto hoje?

Não há cinco anos. Não antes dos filhos. Não antes daquele relacionamento terminar. Não antes de mudar de trabalho. Não na época em que você tinha mais tempo ou menos preocupações.

Talvez você descubra que gosta de coisas completamente diferentes daquelas que imaginava. Talvez perceba que aquela atividade que você adorava já não desperta o mesmo interesse. Talvez descubra um novo hobby aos quarenta, cinquenta ou sessenta anos.

Talvez perceba que descansar, para você, não é necessariamente ficar parada. Talvez seja caminhar, viajar, ficar em silêncio, ler um livro, conversar com alguém ou passar algumas horas sem precisar cuidar de nada.

Talvez você descubra que não quer mais fazer determinadas coisas apenas porque sempre fez. E tudo bem!!

Você não precisa permanecer fiel a todas as versões que já foi. Mas talvez precise começar a demonstrar um pouco mais de curiosidade pela pessoa que está sendo agora.

Pergunte-se: O que eu gosto? O que tem me feito bem? O que tem me cansado? O que eu tenho feito apenas por hábito? O que eu faço porque realmente quero e o que faço apenas porque acredito que deveria? Do que sinto falta? O que gostaria de experimentar?

Algumas respostas só aparecem quando nos damos a oportunidade de experimentar coisas novas. Afinal, como saber se você gosta de algo se nunca se permitiu tentar?

O autoconhecimento não acontece necessariamente em grandes viagens interiores ou em descobertas extraordinárias. Às vezes, ele começa quando você escolhe a fruta que realmente quer comer. Quando pergunta a si mesma qual restaurante gostaria de ir. Quando decide passar uma tarde fazendo algo sem nenhuma utilidade produtiva.

Talvez você não precise voltar a ser quem era. E talvez também não precise se apressar tanto para se tornar quem imagina que deveria ser.

Existe uma pessoa aí, no presente, esperando apenas que você preste mais atenção nela!

Com seus novos gostos, suas mudanças, suas contradições e até suas dúvidas. Com desejos que talvez ainda não tenham sido descobertos. Com sonhos que mudaram. Com limites que antes não existiam. Com necessidades que aquela versão mais jovem de você jamais poderia imaginar.

A versão que você é hoje também merece ser conhecida. Então, talvez seja hora de diminuir um pouco o olhar para trás e a ansiedade pelo futuro e começar a olhar para você agora!

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Oi, eu me chamo Priscila Conte Vieira, mas pode me chamar de Pri! Sou psicóloga, palestrante e mentora. Atuo na psicologia clínica, sou especialista em Psicologia Positiva, pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental, master em autoconhecimento, coach de vida, practitioner em PNL e também criadora do Podcast Respira, não pira (que tal dar uma conferida lá no Spotify?!)

Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de boaforma.abril.com.br.

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